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“The Sea”: o mar de Corinne Bailey Rae

19 de abril de 2010

Música

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“The Sea” – o novo álbum de Corinne Bailey Rae – saiu do forno há pouco tempo. Seu nome, sem dúvida, foi muito bem escolhido para demonstrar a infinidade de sonoridades e emoções que o circundam. Corinne submergiu em seu próprio oceano musical e foi buscar cores diferentes para adorná-lo com arranjos que apresentam um grande crescimento artístico e deixam à mostra as outras faces que ela certamente tem. A incursão da cantora não pôde deixar de ser também emocional já que algumas faixas fazem referências à recente perda de seu marido, um acontecimento triste que serviu como matéria prima para a construção de um trabalho maduro e bem acabado.

“Are you here?” abre o disco com leveza e segue num crescendo que desemboca na expansão de sua voz misturada a vocais suaves, ao leve peso guitarra e à marcação mais intensa da bateria com os pratos. Tudo isso para reforçar a pergunta que parece perdurar por todo álbum: “Are you here?” Corinne aparenta estar em busca de algo e esta faixa dá o pontapé inicial para a sua procura. A dinâmica da canção cresce e diminui explorando as possibilidades vocais da cantora. A conquista do ouvinte é imediata.

Entre tantas músicas, “Feels like the first time” é uma faixa que arrebata pelo swing, pela interpretação, pela linha melódica, pela letra e pela forma com que o arranjo é tratado com discrição aproveitando diversas possibilidades timbrísticas do violão, do piano, da bateria e da guitarra para, em seguida, evoluir para um brilhante arranjo de cordas que dá uma outra profundidade harmônica para a composição.

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Já em “Closer”, Corinne aposta na sensualidade da voz a fim de ilustrar a letra que, na verdade, soa como um pedido de reconciliação, ou um convite sensual para que o casal caminhe na mesma direção e ultrapasse barreiras que dificultam o relacionamento. A música é ótima para ouvir cantando, tem um arranjo retrô que relembra algumas músicas do Prince e, novamente, a apresentação dos instrumentos no decorrer da música ocorre de forma econômica. Os vocais são também uma marca dessa música que, além disso, ainda contém arranjo de cordas e a presença de um trompete que fazem a diferença no meio da faixa. Mas o mérito do arranjo se dá pelo balanço constante mantido pela guitarra, bateria e teclado.

A singeleza de “I would like to call it beauty” é emocionante. Talvez seja a letra mais autobiográfica de todo o álbum, a mais sincera e, quem sabe, uma das faixas que mais sensibilize os fãs. Uma música que fala da perda de alguém muito amado e, justamente por isso, sua mensagem traz em si uma carga de tristeza, de resignação e, finalmente, força para continuar a viver sabendo conviver com dor. A interpretação delicada de Corinne é suficiente para transmitir a idéia, porém a ela são acrescidos outros timbres que ambientam a concepção do arranjo para transmitir uma sensação de aconchego e leveza que ratificam o espírito de resignação da canção. Destaque para o uso do teclado com uma sonoridade meio anos 60, soando como um órgão.

Na faixa “Diving for hearts” o mergulho de Corinne é mais explícito. A letra é uma intensa reflexão sobre o fenômeno do amor e uma tentativa de reencontrá-lo de uma maneira mais profunda através de um mergulho dentro da própria alma. O uso da sonoridade leve no momento inicial da canção e a levada rock que se sucede dão o tom da música que se configura num misto de sutileza e fúria, talvez, desespero. Mas há algo de interessante que marca quase todas as faixas: Corinne faz um movimento musical ascendente e expansivo, mas sempre restabelece seu ponto de equilíbrio e retorna à sua personalidade mais amena, mais discreta e mais sutil.

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Por fim, o álbum termina com a canção-título “The Sea”, uma mensagem de despedida que é simples, curta e direta e que se encarrega de definir o teor de emoções que rodearam toda a construção da concepção artística desse trabalho, ou seja, “The Sea” é a canção-síntese de um trabalho que apresenta uma Corinne mais madura musicalmente, mais experimental dentro de sua proposta como cantora e mais exposta no que diz respeito a revelação de outras influências musicais dentro de sua obra.

Além das faixas aqui comentadas, o álbum ainda tem, entre outras, “I’d do it all again”, música em que Corinne também aposta na emoção e à qual dedica uma interpretação mais sentimental. A letra fala por si só e esta talvez seja a melhor interpretação de Corinne Bailey Rae neste mar em que ela mesma nos faz mergulhar.

Imagem de Amostra do You Tube



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Rafael Nolleto - este autor já contribuiu com 25 posts no midiatico.com.


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