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roberto carlos em detalhes

17 de junho de 2009

Livros, Música

Fiquei interessado em conhecer o trabalho de Paulo Cesar de Araújo logo quando o vi concedendo uma entrevista à Marília Gabriela para divulgar o lançamento do seu livro intitulado “Eu não sou cachorro, não”. Se não me engano, era o ano de 2002. Na ocasião, lembro que seu conhecimento sobre a música brasileira e a paixão com que falava dela me fascinaram. E mais fascinante que isso era a maneira com que Paulo Cesar contestava certos “dogmas” (antes inquestionáveis) sobre conceitos pré-estabelecidos a respeito da música e artistas do Brasil. Com esse livro, o autor saiu em defesa de artistas da música nacional que durante anos foram injustiçados e tiveram suas obras jogadas num “purgatório” de preconceitos que, até o lançamento do livro, eram unanimidade. Paulo Cesar igualou em importância histórica as obras de artistas como Odair José e Luiz Ayrão às composições de artistas como Caetano Veloso e Chico Buarque, por exemplo. Mostrou que a chamada música cafona brasileira incomodava e questionava o regime militar tanto quanto a dita Música Popular Brasileira. Polêmica na certa! Diante de tudo isso, fiquei louco para comprar o livro, mas… … o tempo passou e não sei por que acabei não comprando.

E o tempo passou tanto que o escritor já havia lançado um outro livro: “Roberto Carlos em detalhes”. O livro causou aquele frisson todo e acho que acabou tirando noites de sono tanto do Rei quanto de Paulo Cesar que tiveram um conflito judicial que culminou na retirada do livro de circulação. E eu, que até hoje não havia comprado “Eu não sou cachorro, não” nem também comprei “Roberto Carlos em detalhes” na época do seu lançamento, dessa vez não deixei o livro me escapar: fui correndo a uma livraria e adquiri com sorte o meu exemplar.

Na verdade eu já tinha folheado este livro algumas vezes em que ia à livraria, fiquei naturalmente interessado, mas nada que me fizesse comprá-lo com urgência. De fato, eu nunca fui um súdito do Rei daqueles que acompanha a sua carreira e não perde um especial seu no fim de ano na Rede Globo. Eu gosto de suas canções e algumas delas me emocionam pra valer. E, na verdade, eu fiquei mesmo interessado no livro quando tive a oportunidade de folheá-lo e perceber que o livro tinha Roberto Carlos como centro, mas falava de muitos outros artistas que admiro (Gil, Chico, Edu Lobo, etc.). Era um prato cheio para mim. E assim foi. Li todo o livro e tive o grande prazer de descobrir mais sobre a carreira desse grande fenômeno da música brasileira ao mesmo tempo em que me deliciei ao saber histórias dos bastidores musicais envolvendo Elis, Gal, Caetano e outros. O livro é perfeito. Simplesmente muito informativo e faz jus ao título de “Roberto Carlos em detalhes”.

É impressionante a forma com que o autor tece uma teia de acontecimentos e, ao mesmo tempo, fala de Roberto Carlos, da música brasileira, da história do Brasil. E mesmo que você não seja grande entusiasta do Rei, acaba virando fã. Isso me fez concluir que Paulo Cesar de Araújo é tão fascinado por Roberto que acaba por transformá-lo com sua escrita conseguindo converter em fã até quem diria odiar Roberto Carlos. Acho que o livro inteiro é muito respeitoso, não minimiza defeitos nem aumenta qualidades. É justo. E no fim das contas acabamos por ter uma visão equilibrada acerca do Rei chegando à conclusão de que nem tudo que achávamos o máximo em Roberto Carlos é mesmo assim e nem tudo o que achávamos péssimo é tão ruim.

Mas não é preciso ler o livro inteiro para saber que se trata de uma grande declaração de amor. Basta ler o capítulo introdutório. É paixão à primeira leitura. Cria-se, de cara, um vínculo autor-leitor-Roberto. Paulo Cesar acerta em cheio ao colocar a sua emoção e fazer com que ela prenda a emoção do leitor. Ao sabor de suas palavras, fui sendo conduzido a uma grande e agradável viagem pelo mundo da música brasileira. Através deste excelente trabalho pode-se ter uma noção clara do funcionamento do mercado musical não só do Brasil, mas do mundo inteiro; pode-se também desmistificar muita coisa e mitificar outras desconhecidas.

Depois de ler este livro só posso recomendar que o leiam também mesmo que seja numa destas versões “clandestinas” que circulam na internet a contragosto do Rei. Eu por enquanto estou lendo outras coisas, mas sinceramente espero, em breve, ler “Eu não sou cachorro, não”. E que venham mais livros do Paulo Cesar!



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Rafael Nolleto - este autor já contribuiu com 22 posts no midiatico.com.


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