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gal costa com a boca no mundo

10 de outubro de 2008

Música

 

Não é de hoje que Gal Costa canta para ouvidos estrangeiros. Suas passagens por outros países começaram há muito tempo, desde a época em que desempenhava o papel de musa do tropicalismo e foi a Londres visitar os amigos Caetano Veloso e Gilberto Gil, exilados pelo regime militar. Mesmo sendo acostumada com os aplausos gringos, Gal Costa parece estar, hoje, com uma carreira internacional definitivamente solidificada. Prova disso foi a recente crítica publicada por Ben Ratliff no ‘The New York Times’ que exalta as qualidades vocais da cantora durante sua temporada de shows no lendário Blue Note. Gal reforçou sua condição de senhora da voz.

Sim, Gal Costa é hoje uma senhora que canta do alto de seus 63 anos e continua a seduzir o público com a beleza de sua voz e a naturalidade de seu sorriso. Parece ter se despido dos excessos, das vaidades banais e agora está centrada na simplicidade: canta apenas acompanhada de um violão, fazendo um show com ‘tal intimismo que chega a ser uma prova de fogo’, segundo as palavras de Ratliff. Gal Costa encarou o desafio de exibir-se aos norte-americanos com sua voz revelada, quase nua, quase a capella, aliada somente aos acordes violonísticos de Romero Lubambo (instrumentista brasileiro de talento internacionalmente reconhecido), o que a coloca no centro das atenções de ouvidos exigentes. No ‘Blue Note’ Gal não poderia errar. E não se pode negar que Gal vem acertando ao longo dos anos, desde a sua primeira viagem solo para outros países, em 1979, quando impressionou japoneses e portugueses com o emblemático show ‘Gal Tropical’.                      

Na percepção de Ratliff, a voz de Gal Costa em sua fase atual tornou-se ‘mais grave (escura) e mais suave’ e seu canto ‘brilha dramaticamente e, de repente, a linguagem se torna puro som’.

Especialmente nos Estados Unidos, a imagem de Gal está intimamente ligada à de Tom Jobim, grande amigo com quem emplacou diversas turnês pelos palcos norte-americanos. Uma dessas turnês foi recém lançada em DVD com o registro do show que Gal e Jobim fizeram em Los Angeles em 1987. Além dos shows em parceria, Gal levou inúmeros shows-solo aos EUA, dentre eles o sofisticado ‘Mina D’água do Meu Canto’ apresentado no Carnegie Hall em 1995.

Gal mantém um excelente relacionamento com o público do ‘Blue Note’ desde 2006 quando gravou o cd ‘Gal live at The Blue Note’ no qual cantou clássicos da música brasileira e arrancou elogios de críticos como Kees Schoof e do próprio Ben Ratliff. Com críticas tão favoráveis no exterior, a imprensa brasileira resolveu, na época, ‘reconciliar-se’com Gal e ‘reconhecer’ seu talento publicando boas páginas de elogio à sua performance.  E Gal mantém-se soberana e sóbria, reafirmando o fato de ser uma das cantoras mais importantes da história da música brasileira. Planeja um novo cd para 2009 e por enquanto segue numa intensa maratona de shows com sua voz e um violão a percorrer o mundo.



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Marcus Negrão - este autor já contribuiu com 575 posts no midiatico.com.


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