Santo Amaro da Purificação, a Bahia e o Brasil comemoram hoje o aniversário de 102 anos de Dona Canô, mãe dos ídolos da MPB Caetano Veloso e Maria Bethânia. Tanto a cidade quanto a matriarca notabilizaram-se por causa dos versos das canções feitas por Veloso e inúmeras vezes cantadas por Bethânia. Através deles pôde-se conhecer o pequeno e rico universo de Santo Amaro com seu rio, seus trilhos, sua igreja e seu ícone vivo chamado Canô.
Aos poucos, Claudionor Vianna Telles Velloso (verdadeiro nome de Canô), foi sendo descoberta por uma legião de fãs dos filhos ilustres e sua personalidade firme, sua religiosidade, sua jovialidade, sua simplicidade e suas opiniões francas foram reveladas através da curiosidade da mídia que, volta e meia, indagava, tanto Caetano quanto Bethânia, sobre a sua mãe. E não foi sem motivo, pois ciclicamente Dona Canô aparecia na contracapa de álbuns como “Uns” (Caetano Veloso), participava de faixas de álbuns como “Cânticos, Preces, Súplicas à Senhora dos Jardins do Céu” (Maria Bethânia) e documentários como “Pedrinha de Aruanda” (Andrucha Waddington). Porém, gradativamente, Dona Canô ganhou seu próprio espaço nos veículos de comunicação aos quais já concedeu inúmeras entrevistas, ensinou receitas e professou sua fé em Nossa Senhora da Purificação, padroeira da sua cidade natal.
A partir de então, depois de alastrar-se pela mídia através da musicalidade dos filhos, Dona Canô transformou-se numa espécie de fenômeno popular sendo tema freqüente de canções de outros artistas como Gilberto Gil – que, no recente álbum “Banda Larga Cordel” incluiu uma canção-tributo ao seu centenário – e Daniela Mercury – que interpretou uma canção-homenagem composta por Neguinho do Samba no álbum “Feijão com Arroz”, de 1996. Como se não bastasse, Dona Canô ainda participou como personagem do pitoresco romance de Jorge Amado “O Sumiço da Santa” – lançado em 1988.
O que mais impressiona em Dona Canô é, sem dúvida, a sua longevidade e, principalmente, sua lucidez diante da vida. Ela sempre tem uma boa opinião para dar sobre qualquer assunto, exprime conceitos que só o tempo pode maturar, com a autoridade que só o tempo pode conceder e com o poder de síntese que só o tempo pode nos presentear. A propósito, o Brasil possui uma pequena coleção de personalidades centenárias como Oscar Niemeyer e a já falecida Dercy Gonçalves, pessoas que ultrapassaram a barreira da idade secular e chamam as nossas atenções para o aproveitamento da vida mesmo quando ela possa parecer curta ou próxima de se findar. O segredo da vitalidade pode estar no ato da festa, na celebração, na comemoração do fim e início de ciclos, na constante esperança por inícios.
Santo Amaro da Purificação está em festa! Encontram-se por lá santamarenses, soteropolitanos, brasileiros de todas as regiões, fãs de Caetano Veloso, súditos da Abelha Rainha Maria Bethânia, familiares deles, curiosos, desatentos, crianças, idosos, gente. Em Santo Amaro da Purificação há Dona Canô. E Dona Canô é pop. Feliz Aniversário!










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