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céu: vagarosa e veloz

13 de outubro de 2009

Música

Intitulado “Vagarosa”, o novo álbum de Céu contrasta sua concepção preguiçosa com a rapidez e avidez com que a cantora conquistou o mercado musical internacional. Se musicalmente esse novo trabalho traz em sua essência a malemolência do reggae e do samba, estrategicamente Céu vai conquistando cada vez mais espaço no gosto dos ouvidos antenados na nova música popular produzida mundo afora.

Céu condiz com essa realidade contemporânea, cosmopolita e interativa do mundo de hoje. É uma cantora brasileira, cantando em português, plugada na importância dada ao samba e à música brasileira no exterior, de olho no séquito deixado por Bob Marley (um público consumidor de seu ícone e seus derivados). Céu encontrou seu mercado nesse meio-termo samba-reggae, produziu um trabalho voltado para essas pessoas – no qual percebe-se influências de “Back to Black” de Amy Winehouse – e conquistou mais ouvidos ao lançar “Vagarosa”.

Apropriando-se de um conceito “Caymmi”, Céu começa seu álbum cantando um prelúdio no formato sambão como introdução ao reggae “Cangote” – música que, para mim, funciona como a espinha dorsal da obra. O disco tem faixas de amor, vocais interessantes, composições inesperadas, participações especiais e excelentes arranjos que conseguem neutralizar a monotonia característica do reggae. E Céu brilha nas faixas como cantora, compositora e produtora; aposta em melodias surpreendentes, mostra a sua composição honestamente simples e com muita competência. “Vagarosa” possui unidade sonora e prova o nível de comprometimento e entendimento de Céu com os outros produtores convidados Beto Villares, Gustavo Lenza e Gui Amabis.

Céu presenteou seu público, mostrou uma musicalidade brasileira antenada e mostrou que vagaroso é apenas o conceito sonoro que o disco possui. Mas Céu é veloz.

OUÇA MUITO:

Bubuia: Música com um quê oriental, letra existencialista, vocais muito bem colocados, melodia sinuosa, arranjo que valorizou a formação da banda produzindo um som meio artesanal e, ao mesmo tempo, sofisticado feito por todos os instrumentos. Essa faixa é de audição agradável e ainda conta com Anelis Assumpção e Thalma de Freitas cantando junto com Céu.

PRESTE ATENÇÃO:

Vira Lata: Talvez a faixa mais interessante de “Vagarosa” pela composição bem elaborada, pelo excelente entrosamento no dueto com Luiz Melodia, pelos saltos da linha melódica, pelo refrão harmonicamente surpreendedor, pelo o uso dos extremos grave e agudo no canto de Céu. O arranjo explorou muito bem instrumentos como trompete, flauta, cavaquinho, percussão discreta, melodia elegante e indubitavelmente preguiçosa. O entrelaçamento de sua voz à voz de Luiz Melodia transmite verdade ao dueto. “Vira lata” sintetiza musicalmente a concepção caymmiana do álbum.



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Rafael Nolleto - este autor já contribuiu com 21 posts no midiatico.com.


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