A edição de Maio da Revista Bravo trouxe uma belíssima entrevista com a atriz Fernanda Montenegro que está em plena atuação no espetáculo “Viver sem Tempos Mortos” no qual interpreta a escritora Simone de Beauvoir. Às vésperas de completar 80 anos, Fernanda demonstra vitalidade ao extremo. E quando falo de vitalidade, não me limito a pensar na atividade física do seu corpo, mas na vitalidade de suas palavras, de seu intelecto e do seu olhar que, embora eu não tenha visto, pude imaginar.
Eu não conheço com profundidade os seus trabalhos, não estive em seus espetáculos e nem sei muito sobre sua vida, mas uma coisa é certa: sempre que ela se pronuncia, eu paro para ouvir. Suas palavras são incisivas e revelam uma maturidade que ora parece inata ora lapidada pela passagem do tempo. Gosto de suas frases, de sua maneira simples de refletir sobre as coisas que lhe são questionadas e, principalmente, gosto de sua força porque algo me diz que há em Fernanda uma força que a move rumo a desafios constantes, uma chama acesa que não se apagou com tempo nem com a vasta experiência acumulada.
Na entrevista à Bravo, a atriz fala sobre o monólogo que está em cartaz em São Paulo, fala sobre liberdade, vida e morte, três temas tão vastos e tão inquietantes para a o ser humano. E, dentre suas declarações, pode-se perceber as certezas já adquiridas e as descobertas recentes como, por exemplo, quando a atriz diz ter descoberto a possibilidade de morrer após o falecimento do marido Fernando Torres em 2008.
Por si só, a simples presença de Fernanda Montenegro indica uma respeitabilidade indubitável. Seu talento é unânime. E diante disso é de impressionar a humildade com que ela fala sobre seu trabalho sem enaltecê-lo nem diminuí-lo. Fernanda Montenegro se mostra justa consigo mesma e em nenhum momento aparenta certa modéstia fake típica de atrizes envaidecidas. Fernanda é, sabe que é e o quanto é. Fernanda está em cena!












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